Autor espiritual: Ezequiel
Escrito:
médium Marcelo Passos
Irmãos e
irmãs!
Quando
estamos em processo de evolução e na convivência com outros mais,
principalmente no núcleo íntimo da qual pertencemos, um dos anseios é e será
sempre a busca incessante pela prosperidade em suas mais variadas formas e pela
paz. Toda a nossa história pessoal e coletiva é traçada por gerações longínquas
que de certo modo emoldura o nosso perfil.
É logico
que ninguém é e será igual a ninguém, no entanto, um alinhamento ancestral de
certa forma nos identifica na atualidade, mesmo que nos percamos ao longo da
jornada. A identidade naturalmente seguirá um determinado curso de ordem dito
natural. E assim, por vezes, estes moldes acaba se estendendo e impactando na
cultura de uma pessoa, de uma família, de um povo, de um país e até mesmo de um
continente. E, neste viés, muitos acabam adotando uma certa personalidade e
creem neste ideal como fonte quase única de conduta e comportamento essencial frente
a sua sociedade como um todo, e quando alguém de certo modo desalinha-se com
esta analogia, naturalmente instala-se uma insegurança, um caos, podendo
inclusive levantar guerras e conflitos diversos por algo, talvez, subjetivo,
tudo porque alguém trouxe uma dita imparidade e ou falou uma linguagem quase
incompreendida, pois a maioria das pessoas assim como nós, acabam se protegendo
na segurança de uma zona de conforto. E então!? Diante a proferida diferença,
quem está certo?
Quando o
Cristo veio encarnado entre os homens, Ele não trouxe nada de diferente do que
já havia sido anunciado pelos profetas, simplesmente se fez vivo entre as
profecias, entretanto, quem realmente estava preparado para viver esta
realidade? Grande parte dos sacerdotes daquele período, principalmente de seus maiores
líderes que tanto anunciara a vinda do Messias traçadas nas escrituras não
conseguiram identificar naquele Nazareno a profecia se cumprindo. E, sabem por
que o Cristo causou e trouxe todo este abalado naquela sociedade? Seria por conta
da incredulidade? Em muitos casos, talvez...; por que ele estava atrapalhando
os interesses escusos? Provavelmente..., mas a grande confusão, assim como nós
ainda fazemos, é adotar em nosso imaginário um certo perfil, uma certa
ideologia e acreditar nela como única vertente sem se permitir ouvir outras
realidades, pois a época acreditava-se que o Messias viria em um trono de ouro
e todo coberto de pompas e das mais afortunadas riquezas materiais, porém, o
Mestre contrariou toda uma expectativa levantada, veio completamente na
contramão de um ideal até então eleito por aquela gente, pois para muitos daqueles
influentes era inadmissível que o enviado de Deus viria como um mero carpinteiro
e de uma família dita pobre e sem qualquer influência social. E por este e
outros motivos é que foi perseguido, caluniado, ofendido, traído e
crucificado..., e tudo porque ele abalou a estrutura do mundo de uma forma
surpreendente criado por aquela sociedade.
Afinal,
naquele tempo o Cristo no cumprimento de sua missão andara entre os marginalizados
da sociedade, ou seja, andava e pregava o verdadeiro Deus para aqueles que eram
proibidos de andar entre os demais e muito menos de participar da pregação nos
templos, isto é, andava junto aos pobres, aos doentes e aqueles eleitos pecadores
e de certo modo indignos de conviver na sociedade e àqueles que quisesse ouvir o
profundo e verdadeiro sentido do evangelizar. Cristo falava do evangelho do
amor de Deus para todos e não do terror do Deus para poucos. E por isso que a sua
postura era e foi cruelmente condenada e atacada pelos que se consideravam
doutores da lei e graduados da palavra dos profetas. Contudo, a saber, mesmo
tendo sido perdoados pela nossa vil ignorância embebecida de preconceitos, é importante
elucidar que o Cristo não sofrera com a marginalização apenas pelos ditos poderosos,
sofrera também a perseguição por muitos do povo e de diferentes classes.
Por fim, diante
está reflexão, qual será e seria a nossa posição diante essa realidade da época?
Isto é, se não soubéssemos hoje que ele era o Cristo e ou mesmo sabendo quem
ele é, e se posicionasse diante de nós com vestes simplórias e descalço e sem qualquer
adorno? Ou se ele chegasse até nós maltrapido, sujo e morando nas ruas? Será
que realmente estaríamos preparados para reconhecê-lo nesta personalidade? E ou
o julgaríamos com todo furor ferino no apogeu de nossas convicções e ideologias
divisivas? Será que se esse mesmo homem, fora do padrão social eleito pela
sociedade e também por nossa individualidade, chegasse até nós sem nada para
pedir e falasse unicamente sobre o evangelho, será que pararíamos para ouvi-lo
com atenção? Ou será que ainda devemos esperá-lo vir intocável e envolto de um
trono abastado?
